O primeiro dia mais desastrosamente australiano!

PELAMORDEDEUS NÃO ME MATEM!
Juro para vocês de coração, que tentei postar aqui o mais rápido que pude, mas vocês sabem como é quando estamos em um intercâmbio. Principalmente aqui na Austrália em que o dia acaba extremamente cedo e parece que eu nunca consigo organizar meus horários e muito menos o meu guarda-roupa! Mas como diria a Shakira, estoy aqui para falar sobre o meu segundo dia na Austrália (E sobre o misterioso encontro com o Host Dad).


Nem eu acreditei quando o espírito do badalo tomou conta de mim e me fez acordar antes das oito horas da manhã! Qualquer pessoa com o mínimo de sanidade mental, aproveitaria a manhã do dia seguinte para se ajustar ao fuso horário do país, descansar um pouco pelas horas perdidas durante o voo ou para atualizar as redes sociais contando para Deus e o mundo que os cachorros aqui não falam inglês (Se bem que isso já entrou em pauta, quando tentei chamar um cachorro e ele fingiu que eu não existia. Acho que no caso dele, falava alemão). Mas como sempre, eu consigo me superar. Vi que o Christian havia deixado uma mensagem no meu Facebook falando que estaria lá pelas nove horas e meia da manhã numa rua que eu nunca tinha ouvido falar e que poderíamos nos encontrar lá. Pensei comigo, né gente: - Ok. Não faz nem vinte e quatro horas que estou aqui. Eu não sei nem ao menos pegar o ônibus. Ok. Não conheço nenhuma parte da cidade, me perderei e não terei como avisar ninguém já que estarei sem internet e sem número australiano. Ok. Porque não?

Tomei um daqueles banhos que lavam até a alma, coloquei um reboco básico para causar uma boa impressão na galera e deduzi que estava pronta. Só tinha um pequeno problema, para variar: Minha host mom não estava em casa, os outros intercambistas muito menos e eu me vi perdida e nem sequer havia conhecido meu host ainda. Tentei perguntar para a minha amiga brasileira que está vivendo aqui em Sydney, mas ela não fazia a mínima ideia. Quando estava quando apelando para o Google, percebi que não estava sozinha como achei. Como a minha host sister estava indo para a mesma direção que eu, fomos juntas até a estação de trem (Que segundo ela e outros australianos que andei conversando, é a melhor opção para ir até o centro) conversando. Tentei ao máximo absorver tudo que ela me falava, os atalhos que deveria pegar, os nomes que deveria decorar, os nomes das estações e a maneira que ela fazia para comprar os tickets. Antes de descer, ela me informou que eu desceria na próxima.

Assim que cheguei na estação fiquei totalmente deslumbrada. Não, não tinha um gato australiano piscando para mim (Infelizmente, diga-se de passagem. Se bem que se fosse de qualquer outra nacionalidade, porque não? Ok. Voltemos ao foco). Minha reação foi só apenas um reflexo do momento em que de fato, percebi que estava iniciando uma nova vida. Achei que o choque ia ser bem maior, mas não gente, acreditem em mim: Quando estamos sob o efeito do jet lag, tudo parece um grande filme de slow motion. Depois de muitos “Excuse me?”, “Can you help me?”, “Where is...”, “I need to go...” e um guia turístico que ganhei gratuitamente em um dos lugares que pedi informação, avistei o Christian exatamente onde ele havia dito que estaria.

Depois de alguns momentos típicos de questionamentos em relação ao que deveríamos fazer, decidimos começar a montar nosso kit de sobrevivência em terras australianas. Não sem antes fazer uma pausa no Mc Donald's para pegar emprestado (Sem pedir) o wi-fi, é claro! Aproveitei para mandar um salve para toda a galera da xurupita, atualizar algumas redes sociais e procurar alguns endereços na internet para que conseguíssemos saber onde ficava localizada a operadora que queríamos.

Lá fomos nós desbravar as terras (E o trânsito ao contrário) daquele país desconhecido. Quando estávamos na metade do caminho, percebi que sou realmente uma pessoa desprovida de qualquer tipo de inteligência: Havia esquecido o passaporte em casa! Na realidade, para ser bem sincera, não esqueci. Ao sair de manhã cedo, achei que a melhor opção era deixá-lo em casa, já que nunca se sabe quando será o nosso dia de sorte, né? Não que eu não queira conhecer a Turquia, não é isso, muito pelo contrário! Só que não assim. Pelo menos, meu amigo conseguiu na maior facilidade trocar o número dele e conectar-se. Depois, trocamos todos os dólares americanos que trouxemos na viagem, compramos os cartões para o transporte (Uma espécie de TRI, que a gauchada já conhece, com o nome chique, OPAL), um perfume e partimos para a minha homestay. Sim. Uma Victória sem internet, não é uma Victória. Christian que estava esperando os roommates dele saírem da aula, acabou avisando que iria comigo e que em breve nós dois voltaríamos.

Apesar de termos um pequeno problema com o GPS, que nos indicou o caminho mais longo a ser seguido, nós conseguimos chegar sem nenhum outro acidente de percurso. Se eu não contar o meu quase atropelamento como um. Após pegar tudo que havia esquecido em casa, largar minhas sacolas e receber que o Ken Humano havia morrido pela minha mãe, nós finalmente estávamos na cidade. De novo. Antes de encontrar com os meninos, fui avisada de que um deles, era também brasileiro. O outro, tailandês. Depois das devidas apresentações, considerações finais e de um primeiro almoço em companhia nasceu o Kangaroo Group (Que nada mais é, que o nome original que Christian, Erick, Aum e eu demos para o nosso grupo no Whatsapp).

Nós, de fato, fizemos o que turistas normalmente levariam uma semana. Conhecemos a tão famosa China Town, o luxuoso Queen Victoria Building, meu supermercado preferido que até hoje não consigo pronunciar Woolworths, a maravilhosa (E barata!) Priceline e claro, o símbolo mais característico dessa Austrália inteira: Sydney Opera House. Ainda tivemos a sorte de chegarmos antes do término do festival de luzes Vivid Sydney, que foi a coisa mais linda que já vi nessa vida (Exceto quando me olhei no espelho essa manhã!).

Depois de inúmeras emoções, de risos, de um inglês um pouco enferrujado da minha parte, de fotos, de vídeos, de troca de culturas e de impressões daqui, havia chegado a hora de ir para a casa! Me despedi dos guris e novamente, era eu por mim. Só eu. E milhões de estranhos. Chequei a plataforma correta, entrei e em poucos minutos estava em "casa". Eu achava. Sim. Eu só achava. O problema não ocorreu durante o trajeto, nem quando desci no destino correto, diga-se de passagem.

A confiança dentro de mim foi invejável gente. Sentia como se nada pudesse me abalar, via as pessoas simpáticas desejando uma boa noite, o pessoal conversando relaxadamente nos restaurantes da região de onde moro... Tudo muito lindo e maravilhoso. Até eu perceber que eu estava indo para tudo, menos para casa. "Ah não Vic! Não é essa rua, é aquela outra.", "Não Vic, não parece ser a mesma. Acho que é aquela lá", "Nossa. Mas pelo o que o GPS está me indicando, tenho que continuar ret... Ué. É sem saída!", "Peraí! 1% de bateria? Cadê a avenida?", "Não desliga celular, não desliga, não desliga, não tem NINGUÉM na rua", "Espera! Não pode ser longe, tu só precisa atravessar aquela avenida, caminhar mais um cinco minutos e ir para casa. Lógico!", "Não acredito nisso! Tô sem bateria!". Foi aí que vi ele (Quem Vic? Teu host Dad? Quem?). O posto de gasolina. Com a cara e a coragem de uma intercambista perdida, de noite, em plena sexta-feira entrei pedindo ajuda. Eu sabia o nome de três endereços: O nome da avenida, o nome de uma rua que deveria passar e o meu endereço. Expliquei toda a minha situação para a moça do posto de gasolina e para um indiano gente boa que estava comprando um belo pão de forma. Apesar de insistir que sabia o meu endereço e que sabia que não estava longe do meu destino final, parece que não fui muito convincente. A funcionária, enquanto delicadamente perguntava se eu era francesa, deu um jeito de colocar meu celular para carregar. Resumo da ópera: Depois de dois telefonemas para a minha família, o indiano enviou o endereço correto via SMS para o meu celular. Adivinha? Eu estava correta. Depois de combinarem, foi decidido que me colocariam em um táxi e teria todo o meu trajeto custeado pelo indiano, já que infelizmente contava só com apenas quatro dólares na carteira.

Mas, ao invés de termos um desfecho de cinema, com direito à flashes e tudo, me vi parada na esquina com dois indianos legais. Um com a sacolinha do pão e o outro com uma touca de crochê maneira que eu não usaria, esperando que alguém viesse resgatar essa pobre alma de espírito nômade. O que eu não esperava, nessa história toda, era a pessoa que estava no banco do motorista. Com muita gratidão dentro do meu coração, disse tchau aos meus breves amigos e disse olá quando ouvi um "Hello Victória". Sim. Era ele. Meu host dad!

Ps: Sim! Até hoje sou motivo de piada aqui!
Ps2: Não! Ainda não superei.
Ps3: Nunca joguei.

Um beijo para vocês minhas coisas mais lindas desse meu Brasil e exterior! (Tô chique)
Nos vemos em breve, com muita praia, aventuras e um momento delicado.  <3

4 comentários

  1. Este foi um dos textos mais engraçados que eu já li!
    Fazer intercâmbio na Austrália deve ser brutal, conhecer outros intercambistas (é assim que se diz?), outras culturas, outros ambientes. Tens jeito para descrever as tuas aventuras, já pensaste em escrever um livro de viagens?
    O telemóvel é mesmo útil, percebemos isso quando mais precisamos dele, né? Boa sorte aí na Austrália *--*

    ~Catline
    rapariganoseculo21.wordpress.com

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  2. Estou adorando ler um pouquinho dos seus dias ai no outro continente!
    Fora que as histórias são engraçadas né?
    Ohh escreve umas e guarda, porque eu compraria um livro sobre intercambio se fosse escrito desse jeito! Meio que daily book #ficadica rs rs
    Beijoss, Chris Pereiraaaa

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  3. Demaaais! Amo a Austrália e penso em morar em Syd também! Continua escrevendo! Bjs

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  4. "Ps3: Nunca joguei" KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK EU RI

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